APRESENTAÇÃO DAS ATIVIDADES EM 2011

 Duas almas, oh! Habitam em meu peito
E cada qual está ávida para abandonar a sua irmã.
Goethe

 

            “Violência e seus Destinos na Psicanálise” é o tema proposto pela CFP para permear as atividades do CPRJ, bem como instigar discussões através de Conferências, Mesas-Redondas, Sessão de Cinema & Psicanálise, Apresentação de Casos Clínicos, Jornada, Encontro Teórico-Clínico com Crianças e Adolescentes e através dos trabalhos a serem publicados em nossa revista – Cadernos de Psicanálise, CPRJ.

            Buscando significados para a violência em diferentes autores/estudiosos ( Chauí, Adorno, Ferrari, Houaiss, Abromavay), constatamos que a palavra pode ser interpretada por diversos olhares, das mais variadas matizes teóricas, o que permite uma conceituação complexa, polissêmica e controversa a respeito da violência. Derivada etimologicamente do latim, VIS (força) significa desnaturar, uma ação que é contra a natureza do ser, coagir, constranger, torturar e brutalizar; VIOLAR.

            Freud (1932) em resposta à carta de Einstein que o desafia a pensar sobre os efeitos da destrutividade do homem, propõe uma discussão sobre o tema do poder e da violência: “Estou autorizado a substituir a palavra poder por violência, mais dura e estridente. Direito e violência são hoje opostos para nós”.

            Freud sustenta, então, a idéia de que a violência precede a Lei: “a violência é inerente ao homem. A Violência tem mobilidade, pode circular , pode estar delegada ao Estado ou retornar para o homem , mas é destrutiva se contenta-se em submeter o homem e não matá-lo.”

            Outras categorias de notas importantes são aquelas em que o pensamento freudiano fornece a hipótese -“Totem e tabu”- do assassinato do pai primevo na família pré-histórica, como origem do sentimento de culpa e das instituições culturais. Portanto, pode-se ler como uma gênese da civilização e é ao mesmo tempo, uma exposição fundamental sobre a agressividade humana.

            Ressaltamos também o estudo sobre “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, o qual está na base da formação do “nós” e do “outro”: “É sempre possível unir um considerável número de pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua agressividade” (Freud).

            Freud não via nenhuma antinomia entre a psicologia individual e a psicologia das massas (social), diz ele: “... Na vida psíquica do indivíduo considerado isoladamente, o outro intervém com bastante regularidade como modelo, apoio e oponente, de maneira que a psicologia individual é também, de imediato e simultaneamente uma psicologia social nesse sentido ampliado mas perfeitamente justificada”.

            Enfatizamos a escuta mais ampla, acolhendo o sujeito que nos procura com a suas linguagens mais diversas, oriundas de seu inconsciente, desejo e pulsões e expressa através de atos falhos, chistes e sonhos, numa manifestação sempre singular em nossa práxis.

            Um salto no tempo ao seguirmos Lebrun:... “Seriam surpreendentes, num mundo caracterizado pela violência, tanto na escola quanto na Cidade, por uma nova atitude diante da morte (eutanásia, decadência de ritos,...), a demanda do transexual, os acasos dos direitos da criança, as adições de todos os tipos, a emergência de sintomas inéditos( anorexia masculina, crianças hiperativas...), a tirania do consenso, a crença nas soluções autoritárias, a transparência a qualquer preço, a inflação da imagem,o endereçamento ao direito e à justiça como “ paus para toda obra” da vida, a alienação do virtual, a exigência do risco zero, etc?”

            A psicanálise, desse ponto de vista, pode nos dar algum auxílio?

            De empréstimo a Hölderlin e à guisa de provisão, citamo-lo: “Mas, onde o perigo cresce, cresce também o que salva.”

            Sendo assim, pretendemos alimentar a reflexão de todos e convidá-los para a implicação da tarefa de pensar e contribuir com os seus traços singulares à formação permanente no/do Círculo.

            Aos membros que apostaram nos nossos nomes para conduzir a produção científica do CPRJ, nosso reconhecimento.

 

                                              Comissão de Formação Permanente


            


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