O significante da falta no Outro e o Discurso do Capitalista
urgência contemporânea
Resumo
O artigo aborda o significante da falta no Outro, S(Ⱥ), como operador clínico e ético frente ao Discurso do Capitalista e à urgência contemporânea pela negação da falta. Enquanto a lógica capitalista promete completude por meio do consumismo, a Psicanálise sustenta a falta como estrutural à constituição do sujeito; e é nesse horizonte que S(Ⱥ) se inscreve. A partir da analogia dos números complexos, argumenta-se que tal significante não supre a falta, mas a representa, preservando o estatuto do Outro como não-todo. Assim, se o Discurso do Capitalista reduz o sujeito à posição de consumidor, a direção do tratamento psicanalítico orienta-se pela sustentação ética da falta e, também, pela inserção do sujeito na dimensão do desejo.
Referências
ANDRADE JÚNIOR, M. de. O desejo em questão: ética da psicanálise e desejo do analista. Psychê, ano 11, n. 21, p. 183-196, 2007. Disponível em: <https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382007000200013>. Acesso em: 25 fev. 2026
BONORIS, B. J. A construção performativa do corpo como substância gozante. O Rei Está Nu, ano 2, n. 2, p. 9-16, 2022. Disponível em: <https://oreiestanu.com/wp-content/uploads/2022/12/1.-Bonoris-Bruno.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2026.
EIDELSZTEIN, A. Las estructuras clínicas a partir de Lacan: intervalo y holofrase, locura, psicosis, psicossomática y debilidad mental. Buenos Aires: Letra Viva, 2019.
GOLDENBERG, R. Inconscientes. Londrina: Sinthoma, 2023.
LACAN, J. (1955). A coisa freudiana ou sentido do retorno a Freud em psicanálise. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1958). A direção do tratamento e os princípios de seu poder. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1957). A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1972). Do discurso psicanalítico. Conferência proferida na Universidade de Milão, 12 de maio de 1972.
______. (1953). Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
______. (1967-1968). Meu ensino. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
_____. (1953-1954). O seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.
______. (1955-1956). O seminário, livro 3: as psicoses. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1959-1960). O seminário, livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1960-1961). O seminário, livro 8: a transferência. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
______. (1964). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1968-1969). O seminário, livro 16: de um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
______. (1969-1970). O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.
______. (1972-1973). O seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
______. (1964-1965). Problemas cruciais para a psicanálise: seminário 1964-1965. Recife: Centro de Estudos Freudianos de Recife, 2006.
______. (1960). Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
______. (1974). Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
PRACIANO-PEREIRA, T. Raízes dos números complexos. Preprints da Sobral Matemática, v. 6, 2021.
ROSA, M. S. Números complexos: uma abordagem histórica para aquisição do conceito. 1998. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1998.
SAFATLE, V. Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
Copyright (c) 2026 Cadernos de Psicanálise | CPRJ

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.

